Lembrando do que aconteceu, eu tinha uns 29 anos…Aconteceu por volta de maio de 2015.
Eu tinha acabado de ser convocado para decidir tomar posse ou não no cargo para o qual eu havia sido aprovado em um concurso público para o hospital universitário e eu senti um medo enorme de largar o cargo de técnico de informática, em regime estatutário de contratação.
Pois o novo cargo era no regime CLT. E isso me deixou com muito medo. Mesmo estando dentro dos meus planos.
O novo cargo era para Analista de Tecnologia da Informação que era de um salário maior (mais ou menos uns 2 mil reais a mais).
Esse foi o fato que desencadeou o primeiro surto psicótico. Uma mudança de emprego.
O medo de perder a “Estabilidade Financeira”. Um medo extremo. Um medo de não me adaptar e ser demitido. Injustificado, porque os riscos de ser demitido não era tão grande assim como imaginava. Porém senti esse medo.
Mesmo assim decidi aceitar, pois o plano era ser empreendedor e ter meu negócio próprio e o novo emprego seria apenas um estágio desse plano. Já que não tinha coragem de largar o serviço público logo de cara.. Pedi vacância do meu cargo no IFPI para aí sim poder ser contratado.
Acho que faltavam uns dois meses para pedir a vacância, aí logo tive um surto psicótico.
A necessidade de escolher entre largar uma “coisa certa” para agarrar uma “não tão certa” foi apenas a gota d'água para estourar o “surto psicótico”. Pois a minha mente já andava ansiosa e acelerada já a um bom tempo.
O surto foi apenas o "ápice''. O adoecimento mental é um processo de "intoxicação mental" silencioso e de longo prazo.
Essa aqui é a risperidona. A camisa de força invisível.
Eu não lembro de tudo que fiz durante a psicose e talvez até ninguém entenderia nada se eu contasse. Mas lembro que fui tomar posse no cargo sob efeito de risperidona. Eu estava muito impregnado com esse remédio.
Risperidona é um medicamento atípico usado mais frequentemente no tratamento de psicoses. É um inibidor do sistema motor. É como uma camisa de força invisível. E eu estava tomando esse remédio por meses, (7 ou 8 meses) pois o médico ainda não tinha fechado o diagnóstico.
Depois descobri que não era para tomar isso por tanto tempo.
A Partir do primeiro episódio maníaco que foi possível fechar o diagnóstico de transtorno bipolar. E é nessa fase (de mania) que incomodamos mais os outros.
Por isso resolvi relatar como foram esses momentos.
Assim que tomei posse do meu cargo, não passou de uma semana, eu entrei de licença médica. Esse foi o primeiro momento, em 2015, que me levou a entrar de licença pelo INSS. Foram uns 7 meses de licença.
Ao total foram três vezes que fui para o INSS. E em todas as três vezes eu tive que ver meu salário ser reduzido para menos da metade.
Não recomendo nenhuma vez depender de INSS.
POLÊMICA:
Também não recomendo pagar plano de saúde privado. É um dinheiro que a gente paga e não garante a nossa saúde e que não nos rende juros. Por isso meu plano hoje é não adoecer.
Eu sei que esta declaração é polêmica e vai contra ao que a maioria das pessoas recomenda. Especialistas em finanças recomendam plano de saúde. Mas o que recomendo é que tenhamos uma atitude preventiva quanto à nossa saúde. E pagar um sistema que nos atenda mal quando precisamos não parece muito inteligente.
Sou a favor de termos um plano para cuida de nossa saúde. Porém, os planos de saúde no mercado não são planos para cuidar de nossa saúde. Mas sim para remediar nossas doenças. E geralmente nos atendem mal quando precisamos.
Então ter uma reserva financeira é mais prudente do que viver sem se cuidar direito e esperar que alguém cuide da gente quando isso for tarde demais.
Não pago plano de saúde. Pois no final das contas, os planos de saúde não nos são vantajosos. Vantajoso mesmo é não deixar para depois um cuidado que você pode ter agora.
Recomendo ter uma boa reserva financeira para emergências. Essas sim lhe rendem algo. Mas antes de ter boa reserva financeira. Deve ter uma liberdade emocional.
Foi mais ou menos logo ao final da primeira licença médica pelo INSS que fui apresentado ao estabilizador de humor, Carbonato de Lítio, após trocar de Psiquiatra.
Foi feito o desmame da risperidona ( em 2015 ainda) e dos outros 6 remédios que também estava tomando. Para aí ficar um longo período apenas com o Lítio. Foram uns 3 anos.
Foi um longo período de unipolar.
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